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Hospital Regional de Brazlândia: o pior cenário em 15 anos

Hospital Regional de Brazlândia: o pior cenário em 15 anos
Com infraestrutura precária, falta de profissionais, aparelhos e medicamentos, Hospital de Brazlândia passa por grave crise
Falta de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, vigilantes, antibióticos, Raio-X e até de ambulância. Esse é o retrato do Hospital Regional de Brazlândia (HRBz) hoje. Em visita à unidade na manhã desta quinta-feira (20), o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, e o vice, Carlos Fernando, conversaram com servidores e funcionários, que asseguraram: “já passamos do limite do estresse há muito tempo”.

Na clínica médica, a cada plantão, apenas dois especialistas se desdobram para atender uma demanda de pacientes residentes na própria cidade e no Entorno. Segundo relatos, em alguns dias, chega-se a ter 50 pacientes internados, mais seis no box, com a porta da emergência aberta em tempo integral.

A situação se repete na área de ginecologia e obstetrícia. Para todo o tipo de cirurgias, há apenas um anestesista. No dia 29 de março, a direção do HRBz encaminhou um memorando da coordenação de ginecologia à superintendente da região Oeste, Talita Lemos, relatando os problemas. “Só temos disponíveis 645 horas (contando todas as horas dos servidores). Há, portanto, um déficit importante que tem gerado falhas na escala”, descrevia o documento. São necessárias 935 horas de trabalho para fechar as escalas do setor. Até hoje, no entanto, a superintendente não demonstrou ter tomado conhecimento da situação.

Ainda no memorando, a coordenação de ginecologia do HRBz ressaltou: "a escala de serviço está praticamente inviabilizada, sendo que, dificilmente, fecharemos esta escala sem deixar falhas que possam causar o fechamento no atendimento urgência/emergência em alguns dias, gerando prejuízos graves na atenção à saúde da população desta comunidade, suprida por esta regional”.

No dia 19 de abril, lembraram os servidores, devido à ausência de vigilantes no hospital, o que expõe pacientes e profissionais a risco, duas pessoas brigaram enquanto aguardavam atendimento. “A Polícia Militar alega que não tem efetivo suficiente para ficar no hospital. Então, só podem passar aqui como ronda mesmo”, relatou um médico.

Das quatro ambulâncias disponíveis para o hospital, apenas duas funcionam. O aparelho de Raio-X está quebrado há mais de um mês. Não há fitas para diálise peritoneal. Em alguns casos, disseram também, o déficit de profissionais chega a tal ponto que os pacientes aguardam um mês para conseguir um parecer médico. “Estou há 15 anos na Secretaria de Saúde e nunca imaginei que fosse viver dias assim”, desabafou um servidor.

Na avaliação do presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, a situação, que sempre se repete, é exaustiva para todos: profissionais e pacientes. “Não há condições sequer de fazer um Raio-X de tórax, caso haja suspeita de pneumonia. Os profissionais se desdobram e, mesmo assim, é quase impossível atender à população. Ninguém aguenta mais. E, agora, não há nem vigilantes para garantir a segurança. É o caos do caos. A Secretaria de Saúde tem que tomar providências com urgência”, disse.

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